Com uma população estimada em 286.120 habitantes pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Juazeiro do Norte convive com um paradoxo social: ao mesmo tempo em que figura como a quarta maior economia do Ceará, cerca de 49% de seus moradores vivem em situação de pobreza. Neste mês de junho, o município registrou 35.150 famílias atendidas pelo Programa Bolsa Família, totalizando 96.509 pessoas beneficiadas, com valor médio de auxílio de R$ 688,48. Isso coloca Juazeiro do Norte na terceira posição entre as cidades cearenses com mais beneficiários do programa, atrás apenas de Fortaleza e Caucaia.
Os dados do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social revelam que, das 74.191 famílias juazeirenses cadastradas no Cadastro Único do Governo Federal, 51.681 têm renda mensal familiar de até meio salário mínimo. Dessas, 33.075 estão enquadradas na faixa de pobreza, com renda familiar mensal per capita entre R$ 105 e R$ 210. No âmbito regional, a situação é ainda mais abrangente: em toda a região metropolitana do Cariri, aproximadamente 400 mil pessoas vivem em condição de vulnerabilidade social.
O contraste econômico é marcante. O Produto Interno Bruto de Juazeiro do Norte chegou a R$ 4,8 bilhões, de acordo com relatório da Secretaria de Planejamento e Gestão do Estado, ficando atrás apenas de Fortaleza (R$ 65 bilhões), Maracanaú (R$ 9,8 bilhões) e Caucaia (R$ 7,2 bilhões). Apesar desse desempenho econômico, o índice de Gini do município alcançou 0,518 em 2023, segundo o IBGE, indicando elevada concentração de renda — quanto mais próximo de 1, maior a desigualdade.



